SP: protesto contra Alckmin tem conflito entre PM e manifestantes

Parte dos manifestantes quebraram vidraças de agências bancárias e outros estabelecimentos comerciais. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral
Foto: Gabriela Biló / Futura Press

Um protesto contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), no início da noite desta terça-feira, terminou em tumulto e conflito entre policiais e manifestantes na zona sul de São Paulo.
De acordo com a Polícia Militar, cerca de 300 pessoas participam do ato, que começou no Largo do Batata, na zona oeste da capital paulista. Às 19h50, o grupo ocupava uma faixa da avenida Rebouças.
Parte dos manifestantes quebraram vidraças de agências bancárias e outros estabelecimentos comerciais. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral.
Manifestantes foram abordados e revistados pela Polícia Militar em meio ao protesto. Em nota divulgada nesta terça-feira, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou que a PM iria acompanhar o protesto, e citou que a manifestação “está sendo feita pelo mesmo grupo que promoveu atos de vandalismo na última sexta-feira (26) na avenida Paulista”.
De acordo com a nota, a presença da PM no protesto serve para “dar segurança aos cidadãos pacíficos”. Ainda no comunicado, a polícia afirmou que agiria “com a energia necessária para evitar atos criminosos”. 
Por conta do protesto, a avenida Rebouças ficou totalmente interditada, nos dois sentidos, a partir da rua Pedroso de Morais. às 19h20, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) recomendou que os motoristas evitassem a região. 
Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte:Terra

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