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| Ashton Kutcher, um ator limitado, é o único ponto positivo do filme |
Depois de ter a estreia adiada algumas vezes nos Estados Unidos, o que é um mau sinal, chega nesta sexta-feira, 06, nos cinemas brasileiros Jobs, a cinebiografia do cocriador da Apple, Steve Jobs.
Dirigido por Joshua Michael Stern (do bom Promessas de um Cara de Pau), o filme começa com uma das inúmeras apresentações de Jobs para o lançamento de um produto "revolucionário", "o qual vai permitir que você leve mil músicas no seu bolso". Era o primeiro iPod, em 2001.
A partir daí, o roteiro escrito pelo estreante Matt Whiteley volta 27 anos no tempo, em 1974, para nos apresentar um pouco mais daquele homem que muitos consideram um dos últimos gênios da tecnologia.
Mas quem espera conhecer Jobs fora da empresa, vai se decepcionar. O filme mostra muito pouco sobre a vida pessoal do cinebiografado, voltando as atenções para a criação da Apple Computer.
Mundo corporativo
Não seria nenhum exagero se o título levasse o nome da empresa. Vemos mais discussões estratégicas, ideias e frases de efeito no mundo corporativo do que o dia a dia do cofundador, tornando Jobs uma experiência fria, sem emoção.
A persona de Steve Jobs também não ajuda muito em termos de simpatia. Ele era uma pessoa difícil, e o roteiro, de forma reducionista, deixa subentendido que ele tem essa complicada personalidade por ter sido abandonado pelos pais. Jobs não tem amigos, tem sócios, chefes e funcionários.
Apesar de mostrá-lo como um gênio, o filme não esconde a moral duvidosa de Jobs. Isso fica claro na cena em que ele decide não dar ações da empresa a nenhuma das quatro pessoas que ajudaram a fundá-la, quando ainda funcionava em uma garagem.
O filme também começa algumas discussões e não as conclui. Quando sugere batizar a empresa de Apple, o parceiro dele lembra que o nome é o mesmo da gravadora dos Beatles.
O assunto não continua, mas até a época em que Jobs volta à Apple, período em que o filme é focado, as duas empresas vinham se enfrentando nos tribunais, com a decisão da Justiça a favor da recém-criada americana tendo acontecido já em 2012, um ano depois da morte de Jobs.
Os momentos familiares se resumem a encontros raros com os pais adotivos, mas nada acrescentam à narrativa, e uma rápida cena em que aparece com a filha rejeitada, já mais velha, convivendo com ele.
A atuação de Ashton Kutcher é o ponto alto do filme. Ator limitado, ele consegue se sair bem como Steve Jobs, imitando, com impressionante caracterização, o jeito de andar e os trejeitos, mas exagerando em algumas poses conhecidas, como aquela tradicional em que o criador da Apple aparece pensativo, com a mão no queixo.
O elenco traz ainda os canastrões Matthew Modine, que interpreta um dos CEOs da Apple, e Dermot Mulroney, que dá vida a Mike Markkula, primeiro homem a investir na empresa. Ambos em papéis que pouco exigem.
Microsoft
Os fãs da Apple vão se divertir mais vendo como ele pensou no nome da empresa, a revolta que ele sente ao ver o lançamento do Windows - que julgou ser uma cópia do sistema operacional que criou - e o consequente embate com Bill Gates, que acontece pelo telefone, sem ouvirmos a versão do criador da Microsoft.
As frases de efeito - "Vamos deixar uma marca no universo" - e pensamentos de Jobs - "As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas" - também estão lá. Ao final, temos a sensação de que passamos quase duas horas assistindo a uma palestra motivacional - até a frieza do momento é parecida.
Jobs não foi aprovado por um dos retratados, Steve Wozniak, o homem que ajudou a fundar a Apple. "Me senti mal por várias pessoas que conheço muito bem e foram caracterizadas de forma errada nas suas interações com Jobs e com a empresa", disse Woz, em crítica feita ao site especializado em tecnologia Gizmodo.
Jobs não foi aprovado por um dos retratados, Steve Wozniak, o homem que ajudou a fundar a Apple. "Me senti mal por várias pessoas que conheço muito bem e foram caracterizadas de forma errada nas suas interações com Jobs e com a empresa", disse Woz, em crítica feita ao site especializado em tecnologia Gizmodo.
Mas a vida de Steve Jobs vai ter mais uma chance nas telas. Já está em pré-produção um longa baseado na biografia oficial escrita por Walter Isaacson. É esperar para ver se terá mais emoção, mostrando mais o homem e menos o mito.
Fonte:Atarde
