Commanche do Pelô será uma das atrações do pré-Carnaval na Barra, que começa no dia 30 de janeiro
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| Commanche do Pelô será uma das atrações do pré-Carnaval na Barra (Foto: Paulo M. Azevedo / Arquivo Correio) |
Era 1964 e a irreverência tomava conta da avenida. Um grupo de jovens, reunido em um bloco recém fundado, resolveu escrever a seguinte provocação na faixa que ia à frente dos integrantes: “Há Jacu no pau”. As famílias tradicionais ficaram escandalizadas com a estreia do Bloco do Jacu. A polícia prendeu boa parte dos que participavam do desbunde. Um desbunde que durou 22 anos.
Agora, mais de cinco décadas depois, há Jacu no Pau, ou melhor, no Carnaval, mais uma vez. A essência daquele primeiro desfile estará na avenida esse ano. Com algumas rugas e dores lombares, o Jacu está de volta. É um dos dez que participam do Fuzuê, projeto criado pela prefeitura com o objetivo de fortalecer o Carnaval de rua.
Acompanham o Jacu outros blocos e grupos tradicionais como Barão, Paroano Sai Milhó, Commanche do Pelô, Mascarados de Maragogipe, Pierrô de Plataforma e muito mais. O compositor Walter Queiroz, um dos fundadores do Jacu e idealizador do Fuzuê, que sairá no pré-Carnaval da Barra, no dia 30 de janeiro, parece que voltou a ter os mesmos 16 anos daquele dia em que passou a noite em cana.
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| Os Mascarados de Maragogipe na avenida. No dia 30, desfile será entre o Clube Espanhol e o Farol da Barra (Foto: Mauro Akin Nassor/Arquivo Correio) |
“Fico muito, muito feliz de participar desse momento de redemocratização do Carnaval. Não temos a intenção de retornar para ficar. A ideia é só matar a saudade”, garante o líder do Jacu, imortalizado pela sua mortalha azul turquesa.
AcústicosO Fuzuê, explica Walter, surgiu a partir de uma decepção com o Furdunço no Carnaval passado, quando o Jacu também foi para a rua. Acontece que, na oportunidade, blocos acústicos como o Jacu e todos os outros que estarão no Fuzuê tiveram que conviver com os blocos eletrônicos, alguns minitrios, outros trios de verdade.
“Constatamos que o acústico e o eletrônico são incompatíveis. Agora, teremos a chance de desfilar só os acústicos. É o chamado ‘mão na mão, pé no chão’”, comemora Walter, citando o antigo bordão.
O Fuzuê chega para carimbar o tema do Carnaval desse ano: “Vem curtir a rua”. A ideia é justamente devolver a maior festa do planeta para o povo e para a avenida, com acesso garantido para todo o tipo de gente. “Resgatar essas entidades é recriar o Carnaval mais intimista e próximo do povo. Nosso Carnaval tem espaço para todos os carnavais, inclusive esse, que é extremamente democrático”, afirma o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Eddington, um dos responsáveis pela organização dos dez dias de festejo que Salvador terá, contando o pré-Carnaval e a folia oficial, este ano.
A turma do Paroano Sai Milhó, que no repertório toca músicas da MPB de forma acústica e em ritmo de Carnaval, também está empolgada. Na fila do Fuzuê, defende um Carnaval para todos, sem que para isso os trios elétricos acabem.
“Não precisa tirar o trio. Mas o Carnaval precisa dar acesso a outras pessoas, além de oferecer experiências diferentes a quem já gosta do trio. Estamos vivendo um momento importante”, avalia Lindberg Macedo, 64 anos, o Beguinha, um dos líderes do Paroano, que esse ano completa 53 carnavais.
HomenagensO Commanche do Pelô, bloco de índios que completa este ano 42 folias ininterruptas, também se prepara para o Fuzuê. “É um momento interessante de homenagear o grande poeta Waltinho Queiroz, as entidades tradicionais, as Ganhadeiras de Itapuã. É muito interessante para a cultura da nossa terra, até porque vai mostrar a outra face do Carnaval, como era no passado”, diz o presidente do bloco Jorginho Commancheiro.
O Fuzuê nasce dois anos após o Furdunço, que desde 2014 colocou nas ruas o Carnaval feito com equipamentos de menor porte e oficializou o pré-Carnaval.
“Criamos o conceito do pré-Carnaval na estratégia de divulgação da cidade. Queremos trazer o turista antes ou fazer com que aquele que aqui está e não pode ficar sinta o gostinho da festa”, explica Eddington.
Este ano, a folia antecipada terá até circuito oficial, que homanageia Orlando Tapajós, artista responsável pela revolução estética no trio elétrico. O desfile será na Avenida Oceânica, no trecho entre o Clube Espanhol e o Largo do Farol da Barra.
‘Rua precisa ser valorizada’, diz organizador do pré-CarnavalSe hoje existe o bloco com cordas, agradeça à rua. Se hoje existe o camarote, agradeça à rua. O Carnaval nasceu na rua e, para que todo o restante seja valorizado, é preciso que a rua seja valorizada. É dessa forma que pensa o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Eddington.
“Tudo que está relacionado com o sistema do Carnaval, que nasceu na rua. Por isso, para fazer esse sistema andar, se fortalecer, é preciso fazer com que o Carnaval de rua esteja vivo”, afirma ele, que comanda organização da festa.
Walter Queiroz, fundador do bloco do Jacu, acredita que a sobrevivência do Carnaval depende de sua essência.
“É preciso manter a chama das tradições, das fantasias, da música carnavalesca. Queremos também o carnaval da cumplicidade e da solidariedade, livre do modelo da grana, sem a estridência dos trios, verdadeiros mastodontes musicais”, discursa o compositor e poeta.
Fonte:Correio da Bahia
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