BA:Prejuízo com seca passa de R$ 100 mil/mês



Pesquisa com prefeitos da região atingida traça um painel da difícil situação nos municípios baia
Pesquisa com prefeitos da região atingida traça um painel da difícil situação nos municípios baia

Sessenta e três por cento dos municípios baianos que sofrem com a seca têm prejuízo mensal acima de R$ 100 mil em razão dos reflexos nas suas economias. São 201 municípios nessa situação. Apesar disso, 55% dos prefeitos afirmam não estar recebendo ajuda do governo estadual e outros 63% dizem que ainda não viram chegar recursos do governo federal.
Esse é o mais recente diagnóstico apresentado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que pesquisou no último mês 320 municípios na Bahia. O estudo divulgado nesta sexta-feira, 10, informa que 81% dos prefeitos dizem enfrentar o problema da seca. A situação se agrava num ano de cofres vazios em decorrência da queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Só em abril a queda foi de 40%.
O governador Jaques Wagner (PT) afirma que os recursos têm sido liberados (pelo Estado e governo federal) e que é preciso separar o “problema de caixa com o fenômeno da seca”.
Promessa – Na próxima segunda-feira, 13, representantes de entidades municipalistas estarão em Brasília para cobrar do governo federal mais recursos para municípios atingidos pela seca. Na Bahia, os piores problemas apontados na pesquisa da CNM são a morte dos rebanhos, a migração de pessoas dos municípios, o aumento do desemprego e o prejuízo ao erário.
“Com a queda da receita não há recurso para carro-pipa, não tem conserto de poço artesiano, não temos dinheiro para nada. Precisamos que o ministro (da Integração) Fernando Bezerra cumpra a promessa feita”, afirma José Bonifácio, prefeito do município de Ruy Barbosa e vice-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB).
A “promessa” a que se refere Bonifácio é o acordo feito em março com Bezerra de que os municípios receberiam recursos complementares do FPM.
Esse acordo previa um aporte suplementar de R$ 350 mil a R$ 1,1 milhão no fundo. “Até agora não saiu nada”, lamenta o prefeito.
Apesar de reconhecer os esforços do governo do Estado – em ações como a abertura de licitações para compra de cisternas, distribuição de equipamentos, ração para o gado -, Bonifácio acredita que o governador poderia chegar mais junto da presidente Dilma Rousseff (PT).
Wagner, porém, pensa que é “preciso separar as coisas”. E diz que “recursos têm sido liberados, máquinas, alimentos, cestas básicas, carro-pipa, pagamento das dívidas, garantia-safra. Na verdade, o que os municípios querem é recursos para fazer frente ao FPM, uma complementação direta na conta dos municípios. Não obrigatoriamente pela razão da seca” .
O governador diz concordar com o pleito municipalista, mas entende que deve ser negociado com o governo federal. “O município é o elo mais fraco da cadeia. Mas só para separar: para a seca tem sido feito esforços do governo do Estado e governo federal. Essa é uma questão de caixa e não de seca. É uma demanda nacional, que eu apoio, mas que tem que ser negociada diretamente com o governo federal”, afirmou.
Fonte:Atarde

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