Corsa Sedan foi flagrado em Piatã por câmera de condomínio. om auxílio de retrato falado, polícia também está atrás do motorista
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| Polícia busca rapaz que ajudou foliã carioca a pegar táxi antes de estupro em Piatã(Foto: Arquivo Correio) |
Para a polícia, não há dúvida: o homem que estuprou a turista carioca L.O.S.S, 28 anos, na madrugada de terça-feira, em Piatã, dirigia um táxi. Nas filmagens das câmeras de um condomínio, obtidas pela Polícia Civil, um táxi Corsa Sedan aparece na Rua Rio Trobogi, local do estupro.
“As imagens estão ruins. Não dá para ver placa nem alvará, mas sabemos que é um táxi pelas cores padrão do veículo: vermelho e azul”, disse o delegado Antonio Carlos Santos, titular da 12ª Delegacia (Itapuã), descartando a hipótese de a turista ter pego um transporte clandestino.
Às 3h50, o Corsa Sedan, em alta velocidade, é flagrado por uma câmera deixando a rua ao lado do Condomínio Horto Ville Piatã. Nesse momento, a turista já tinha sido violentada. As imagens foram encaminhadas para o Departamento de Polícia Técnica (DPT), onde peritos tentam identificar a placa e o alvará do carro.
Depoimento
No início da tarde da quinta-feira (19), a turista prestou novo depoimento na 12ª Delegacia (Itapuã). Ela já tinha sido ouvida no dia do crime. Morena, 1,60m de altura, olhos claros, cabelos castanhos no ombro, ela chegou por volta das 13h30.
Cerca de meia hora depois, a turista foi levada pelo próprio delegado ao DPT para fazer o retrato falado do criminoso — que deve ficar pronto em oito dias. Do DPT, a jovem foi para o aeroporto de Salvador, onde embarcou para o Rio de Janeiro. Ela não quis falar com o CORREIO. O caso também é investigado pela Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur).
História
Na madrugada de terça-feira, a turista saiu do Camarote Salvador, no circuito Dodô (Barra/Ondina), com destino a Pernambués, onde estava hospedada na casa de amigos. Santos disse que ela contou com a ajuda de um rapaz chamado Marcos para pegar o táxi no circuito.
“Ela disse que nunca tinha cruzado com esse rapaz, que ele estava na Avenida Adhemar de Barros perguntando quem queria táxi e ela topou. Pagou R$ 20 para ele, por ter conseguido o táxi, e acertou com o taxista a corrida até Pernambués por R$ 30”, contou o delegado, que pediu para quem tiver informações sobre Marcos ligar para 3116-1530/1533.
No trajeto, a foliã acabou pegando no sono no banco de trás do táxi. O motorista, então, dirigiu até Piatã sem que a carioca percebesse, e parou na Rua Rio Trobogi, onde violentou a mulher. “Ela disse que quando acordou o taxista estava abrindo a porta dos fundos, antes de a ameaçar com um faca”, afirmou Santos.
O criminoso amarrou as mãos da vítima ao banco do motorista e a estuprou. Ele também roubou o celular e a carteira da vítima. “Depois de consumar o ato, ele mandou que a vítima corresse”, contou o delegado. A turista correu até chegar ao edifício Art Residence, a cerca de 150 metros de onde foi estuprada. Lá, foi acolhida por um dos porteiros.
“Ele chegou a pensar que era um truque, que eram bandidos tentando dar um golpe para entrar. Mas, diante do desespero dela, ele liberou o acesso cinco minutos depois”, contou ao CORREIO um dos funcionários que não quis se identificar. O porteiro, que acionou então a Polícia Militar, prestou depoimento ontem pela manhã, na 12ª Delegacia.
Stella Maris
Depois de saber do caso da turista, uma jovem moradora do bairro de Stella Maris esteve ontem na delegacia. Ela disse que por duas vezes, na semana do Carnaval, foi seguida por um homem que também conduzia um táxi Corsa Sedan e prestou seu relato a um investigador, no intuito de colaborar com as investigações.
“Vi que ele era meio forte, moreno, cabelo preto”, assegurou a testemunha. A segunda vez aconteceu na madrugada de Quarta-Feira de Cinzas, quando voltava do Carnaval. “Era umas 4h. Vi que o mesmo táxi Corsa Sedan me seguia. Corri para dentro do condomínio”, acrescentou ela.
Para presidente de associação de taxistas, carro pode ser clonado | Gil Santos
O presidente da Associação Metropolitana dos Taxistas de Salvador (AMT), Vandeilson Miguel, disse não acreditar que o homem que estuprou uma turista carioca de 28 anos na terça-feira em Piatã seja, de fato, um taxista.
Ontem o titular da 12ª Delegacia (Itapuã), delegado Antônio Carlos Santos, contou que as primeiras imagens coletadas pela polícia comprovam que o veículo usado pelo criminoso era padronizado. Para Miguel, no entanto, é pouco provável que um profissional regularizado tenha cometido o crime.
“Mesmo quando alguém aluga um carro, para rodar, ele precisa se regularizar na prefeitura. Deixar CPF, identidade, comprovante de residência. A prefeitura está sempre fiscalizando”, disse. “O carro também pode ter sido clonado. Não seria surpresa. A polícia precisa mesmo investigar, até porque fica ruim para a gente, a nossa categoria. Quando os jornais noticiam que um taxista fez isso é ruim pra gente”, afirmou.
Segundo ele, 7 mil táxis circulam em Salvador. O secretário municipal de Mobilidade (Semob), Fábio Mota, informou, através da assessoria, que vai aguardar as investigações da polícia para comentar o assunto.
Fonte:Gazeta Esportiva
